Assinatura tratadoMais uma marca na história da Comunidade de São Victor o momento que marcou a assinatura de um “Tratado de Cooperação e Amizade”, com a Freguesia de São João da Madeira, do Município com o mesmo nome.
Associando a iniciativa “O Nosso património” desenvolvida em parceria pela Autarquia de S. Victor e a Associação Juvenil “Jovem Coop” a este momento histórico, a Delegação que partiu de S. Victor, Braga, nos finais do mês de Julho de 2013, composta por cerca de meia centena de elementos, entre Autarcas, participantes Jovens na iniciativa e Monitores e Dirigentes da Associação Juvenil, os mesmos foram recebidos em Festa pela Autarquia Amiga de S. João da Madeira. Efetuada uma visita ao Museu Nacional do Chapéu e recebidos pela sua Diretora Dra Susana Menezes, a Delegação ficaram mais esclarecidas sobre os motivos desta genuína aproximação. Foi reafirmado o apoio para a criação do “Centro interpretativo do Chapéu”, sonho da Junta de Freguesia de São Victor, garantindo a Instituição de que é responsável todo o apoio para que isso possa acontecer num futuro breve. A história comum associada à Industria da Chapelaria remonta aos anos 40, do século XX e une a população das duas Autarquias, com episódios associados a várias causas, desde lutas operárias a aproximação entre as pessoas, havendo relatos muito interessantes sobre este tema, como aquele que aqui reproduzimos, inscrito no livro “Unhas Negras” de João da Silva Correia 1), autor sanjoanense:

Assinatura tratado1

Ergueram-se os apropriagistas, – a fidalguia da classe – melhor encadernados, de gravata (até corrente de prata, este ou aquele (…) Ergueram-se os fulistas, figuras de fadiga mais apagadas, pálidas dos vapor tóxico das fulas, metidos em si mesmos, como que conscientes do rigor da sua insignificância como membros da classe. (…) E ergueram-se também os do grosso – os da lã – os mais menos, os párias dos párias, muito inseguros de si, visivelmente envergonhados entre a mais camaradagem. Desengonçados, pálidos, de fisionomias fixas, sem vida, sem expressão, mais pareciam figuras de cera num museu histórico.
Neste mesmo livro outros episódios se referem à ligação das localidades de São João da Madeira e de Braga e das suas gentes.
A celebração do “Tratado” decorreu no Edifício da Torre Oliva e juntou Autarcas das duas Freguesias, Jovens participantes na iniciativa “O Nosso Património” e muitas Instituições locais, desde logo com a presença do Presidente da Câmara Municipal de São João da Madeira Dr. Ricardo Figueiredo e Vereadores, o Presidente da Assembleia Municipal de S. João da Madeira e muitos dirigentes de Associações Desportivas, Culturais, Recreativas e Sociais.
O Presidente da Junta de Freguesia de São João da Madeira considerou que o “protocolo agora assinado em papel”, veio dar um impulso e um novo alento para que as atividades a ser desenvolvidas possam redobrar e tornarem-se mais intensas e frequentes. O Autarca de S. Victor, Firmino Marques afirmou levar até S. João da Madeira, o coração de S. Victor ali bem representado por dezenas de Jovens e Autarcas. Esta proximidade de Cultura e História deve ser um exemplo a seguir, pois o futuro passa por aproximar mais as Pessoas. Enalteceu o trabalho efetuado pela Autarquia de S. João da Madeira, ali representada pelo seu Edil e a alavanca económica que a recuperação do património Industrial veio dar àquele Município e Freguesia. O melhor exemplo está na recuperação do edificado respeitante a antigas indústrias, com destaque para a Chapelaria e a criação do Roteiro associado às indústrias que se mantêm com invejável saúde económica e que acolhem todos aqueles que desejem “observar em direto” como se fazem os “melhores lápis do mundo” da Viarco, ainda no estrito respeito pelo fabrico artesanal, ou observar “a maior produção da indústria de feltros para chapelaria” do mundo, que funciona na Fepsa, unidade industrial daquela localidade.
Assinatura tratado2O Presidente da C.M. de São João da Madeira, Ricardo Figueiredo apadrinhou e saudou esta iniciativa, relatando para a história a ligação entre as duas localidades e o facto de ali ter sido criada no século XX, a “Cordoaria Nacional do Pêlo” que aglutinou 35 indústrias do País, que se juntaram e fizeram uma única Fábrica. Destas 8 eram de Braga e tornaram-se na época grandes indústrias de chapelaria.
O almoço conjunto e a visita ao Roteiro das Indústrias de S. João da Madeira deliciaram este dia que fica como uma importante marca na história das duas comunidades.
Entre as duas Autarquias houve permuta do Tratado e de lembranças deste “Dia Histórico”.