Salão Egipcio

 

Está patente, no Espaço Galeria da JF S. Victor, uma exposição fotográfica sobre um sítio desaparecido (Atheneu Comercial) e sobre um sítio em vias de desaparecer (Salão Egípcio). 

Ambos os locais eram emblemáticos da cidade, numa outra época. Com o passar dos tempos, quer o Salão Egípcio, quer o Atheneu Comercial perderam vitalidade por perderem as pessoas que os frequentavam. Rapidamente caíram no esquecimento e entraram em processo de degradação.
Fernando Mendes e Luís Machado voltaram a trazer, à ordem do dia, a temática da preservação e valorização do nosso património, a partir de uma belíssima exposição fotográfica sobre estes dois locais.
Aquando da inauguração da exposição fotográfica, a Freguesia de S. Victor convidou o Professor Rogério Sousa, Egiptólogo e colaborador no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra.
Este investigador provou que as figuras parietais existentes no Salão Egípcio não foram fantasiadas por Lúcio Fânzeres, mas sim constituindo uma prova da cultura egipciante detida pelo famoso autor. Durante o século XIX foi comum o aparecimento de edifícios com esta temática, e o Salão Egípcio de Braga traça-nos a evolução das corrente artísticas, pois na altura em que foi pintado, já estes temas egipciantes tinham passado de moda no resto da Europa,
A partir da obra Denkmäler aus Aegypten und Aethiopien (Monumentos do Egipto e da Etiópia), do alemão Richard Lepsius, o pintor acedeu a mapas, desenhos e figuras de túmulos e templos que replicou nas paredes do número 9 da Rua do Souto.
As pinturas replicadas pertencem, na sua maioria, às imagens existentes no Templo de Ramsés III, situado em Medinet Tabu, em Luxor, no Egípto.
Provou-se que o Salão Egípcio tem um enorme valor, e que merece ser preservado.
Num agradecimento pela exposição, o presidente da Junta de Freguesia de S. Victor, Ricardo Silva apelou aos participantes que visitem novamente a exposição e que tragam mais amigos para conhecer este tesouro escondido de Braga.
“Só podemos amar o que conhecemos e conhecendo este local, vamos querer protege-lo, pela sua singularidade, pela sua beleza, por poder ser um ícone da nossa cidade. Sendo exemplar único em Portugal, com estes temas tão expressivos, importa que consigamos sensibilizar o executivo municipal para encetar forma de conservar este local e torna-lo de fruição pública. Esta é uma exposição que ajudará a criar consciências e ensinará às gerações mais novas o gosto pela história e cultura. A negação dos nossos valores culturais faz de nós um povo de memória curta e sem consciência colectiva.”
O autor Fernando Mendes agradeceu o convite formulado pelo presidente da Junta de Freguesia de S. Victor para dar a conhecer dois locais de singular beleza e afirmou que esta exposição é um sinal de teimosia e de esperança, confirmando que todos aqueles que não cuidam do melhor do passado irão, com certeza, perder o rumo do futuro”.