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Breve Historial de São
Victor
A
Freguesia de São Victor situa-se no Concelho de Braga. A
História desta Freguesia, com cerca de 5 Km2 e 32.000
habitantes, perde-se no tempo. De São Victor
sentiu-se o aroma inconfundível em todo o país e no mundo através dos
incomparáveis sabonetes e perfumes com origem na Saboaria Perfumaria
Confiança. Também os chapéus fabricados numa indústria, que
foi florescente na freguesia, correram o mundo, tendo como
destino a Europa, Africa e América.
Em São Victor “mora” um valioso património nacional, onde se
destaca a sua Igreja Paroquial reedificada no Sec. XVII e o
valioso Complexo Monumental das SETE FONTES, que se deve à
acção de D. José de Bragança, sendo uma referência
incontornável de Engenharia Hidráulica, albergando no seu
seio um triplo conjunto de interesse incalculável em
Monumentalidade, Ambiente e a Água, elementos preciosos do
passado e para o futuro de todos nós. Este Complexo
abasteceu de água a cidade de Braga, de forma organizada,
pelo menos a partir de 1742 , até ao séc. XX (1960). Sendo
uma Freguesia urbana, atendendo à sua dimensão, integra,
ainda, pequenas bolsas de áreas Agrícolas (Sete Fontes e
Bairro da Alegria), tendo áreas habitacionais distintas, a
parte antiga , integrando o Centro Histórico de Braga e a
parte moderna, predominando a construção em propriedade
horizontal.
O Núcleo urbano antigo apresenta muitas das
habitações em avançado estado de degradação, registando-se
contudo a reconstrução de algumas delas, servindo de
“espelho fiel” de um passado recente que retratava o poderio
económico dos seus proprietários. A demolição de algumas
dessas casas também tem acontecido, pontificando como um
aspecto negativo da necessária e adiada reconciliação
arquitectónica urbana, entre o passado e o futuro. S. Victor
tem no seu seio dois Bairros de construção eminentemente
social (Enguardas e Santa Tecla), destinados às pessoas mais
carenciadas economicamente, resistindo também os
carismáticos Bairros tradicionais, conhecidos por: Bairro
da Alegria, Bairro das Sete Fontes, Bairro Eng.º Macedo,
Bairro Económico Eng.º Duarte Pacheco e Bairro do Sol,
habitados de forma mista por estratos sociais desafogados e
de poucos recursos.
S. Victor está bem servida de transportes públicos, tendo
uma razoável rede viária. No Ensino Básico tem seis
Estabelecimentos Oficiais: Bairro da Alegria. Bairro Eng.º
Duarte Pacheco, Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, Enguardas, São Victor (nº7) e Santa Tecla desdobrada em duas
Escolas (Rua dos Torneiros e Rua Dr. Francisco Machado Owen).
Possui três Jardins-de-Infância oficiais: Bairro da Alegria
e Enguardas com duas salas e Santa Tecla com uma sala,
existindo também Instituições Privadas com Berçário (Obra
Social da Quinta da Armada, “Mãe Cegonha” e “Sempre à Mão”) e
Jardins-de-Infância (Obra Social da Quinta da Armada, “A Bogalha” e “Arca de Noé” e Jardim Escola João de Deus, esta
também com Ensino Básico). Tem a Escola Dr. Francisco
Sanches com EB2/3, funcionando também nesta Freguesia para
além da Escola Secundária Carlos Amarante com o Ensino
Complementar, núcleos Universitários da Universidade do
Minho e da Universidade Católica. O Conservatório de Música
Regional de Braga – Calouste Gulbenkian, prepara o acesso ao
ensino superior dos alunos de Braga na área da Música, desde
o Ensino Básico. Escolas e Estabelecimentos privados
escolheram S. Victor para se instalarem, em áreas tão
distintas como no ensino de: Francês, Inglês, Informática e
dedicadas também a formação Profissional.
O Parque de Diversões da Bracalândia, situado junto do
Complexo Desportivo da Rodovia, é um equipamento de diversão
muito frequentado por portugueses e espanhóis, que recebe
milhares de pessoas por ano na nossa Freguesia.
S. Victor tem no seu seio o Complexo Desportivo da Rodovia,
com uma grande diversidade de oferta de espaços para várias
modalidades desportivas, destacando-se: Atletismo, Futebol,
Basquetebol e Natação. O Clube de Ténis de Braga funciona
na mesma área com um excelente Complexo desportivo para esta
modalidade, pontificando no desenvolvimento do seu trabalho
vários campeões nacionais. S. Victor possui também Clínicas
Médicas, Palácio da Justiça, Centro Regional da Segurança
Social, vários Bancos e Seguradoras, diversos consultórios
desde Medicina a Advocacia, possuindo uma vasta zona
comercial e bastantes Jardins-Públicos. Nesta Freguesia
reside o Senhor Arcebispo de Braga, no Paço Arquiepiscopal,
importante figura da Igreja a nível da Península Ibérica. De
São Victor serviram Braga e Portugal ilustres cidadãos na
área política e religiosa, aconselhando-se a todos a leitura
do “Livro de São Victor”, da autoria de Eduardo Pires de
Oliveira, que o levará pela história remota desta honrada
freguesia e das suas gentes.
No século XIV as igrejas de São Victor, São Vicente e São
Pedro de Maximinos eram românicas, sendo as freguesias que
rodeavam a cidade. No século XVI D. Diogo de Sousa definiu
Braga como "uma cidade de barro sem templos nem gente nem
edifícios". Este Arcebispo assumiu em 1505 o governo
temporal e espiritual de Braga. A este Arcebispo deve-se o
grande impulso que transformou Braga numa cidade
desenvolvida em todos os aspectos. Os anos vão passando sem
deixarem grandes marcas da cidade. É de assinalar, apenas, o
desaparecimento quase dos traços românicos existentes em
alguns templos (S.Tiago, S.Victor, S.Vicente, etc.)
substituídos por construções barrocas, estilo artístico que
irá marcar profundamente a fisionomia da cidade. Como a
freguesia era demasiado extensa, o Arcebispo de Braga, D. José
de Bragança, desmembrou-a em 1747 e criando, com parte dela,
a de S. José - do seu nome - dando-lhe para Matriz a igreja
ou ermida de S. Lázaro. Daqui vir a chamar-se Freguesia de S.Lázaro. Por provisão de 25 de Março de 1926, D. Manuel
Vieira de Matos, remodelando as paróquias da cidade, criou a
de S.Vicente, retirando uma parte notável da de S.Victor.
Por decreto de D. Eurico Dias Nogueira, datado de 29 de
Dezembro de 1983, foi criada a nova paróquia de Santo Adrião
do Monte, ficando a pertencer-lhe todos os paroquianos de
S. Victor, residentes a sul do rio Este. Apesar destes
desmembramentos, S. Victor ainda é a maior paróquia da
cidade, e das maiores da Arquidiocese de Braga, sendo em
termos administrativos a freguesia mais populosa do distrito
de Braga e uma das mais populosas do norte do país.
SÃO VICTOR - PADROEIRO DA FREGUESIA
S. Victor (S. Victouro,
S. Vitoiro ou S. Victório) nasceu no último quartel do século
III, visto ter sido martirizado, na flor da idade, nos
princípios do século IV, nas perseguições de Maximiniano ou
Diocleciano, imperadores de Roma. Segundo escritos antigos
atribuem-lhe como lugar de nascimento uma aldeia junto ao
rio Este. Os calendários Litúrgicos do Mosteiro de Sillos
(Espanha), respectivamente dos anos 1052, 1067 e 1072,
consideram S. Victor como mártir de Braga. Os calendários do
Missal de Mateus, anteriores a 1175, e todos os calendários
litúrgicos bracarenses posteriores (Breviários, Ritual, dos
séculos XIV e XV), e todos os livros impressos, trazem, a 12
de Abril, a festa de Victoris Martyris Bracharensis (festa
duplex, sem jejum). Este mártir bracarense, mencionado no
Martirológico Romano a 12 de Abril, sendo ele catecúmeno,
recusou-se a adorar um ídolo e professou com grande
constância a sua fé em Cristo. Padeceu muitos tormentos e
foi por fim decapitado, sendo assim baptizado no seu próprio
sangue. O geógrafo João de Barros regista a tradição de que
ele padeceu "no tempo dos Arianos", no lugar das Goladas,
não longe da igreja paroquial de S. Victor, em Braga. Em
1590, o Arcebispo D. Agostinho de Castro, procedendo ao exame
do túmulo atribuído a S. Victor, não encontrou nenhumas
relíquias.

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