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“Mostra
do Património de S. Victor”
Exposição dos Trabalhos efectuados nas actividades
de Verão
“O Nosso Património” –
3ª Edição
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No âmbito da actividade
“O Nosso Património” – 3ª Edição, promovida pela
Junta de Freguesia de S. Victor e pela Associação
Jovem Cooperante Natureza/Cultura, irá ter lugar, na
manhã do próximo dia 27, Sexta-Feira, das
10h30/12h30, no Largo da Senhora-a-Branca, a “Mostra
do Património de S. Victor”.
Esta iniciativa visa
dar a conhecer ao público em geral, o trabalho de
pesquisa histórica e reconhecimento patrimonial que
o grupo de cerca de vinte e cinco jovens tem vindo a
efectuar desde o dia 09 de Julho. Esta “Mostra do
Património de S. Victor” permitirá expor cartazes
elaborados pelos participantes que também se
encontrarão disponíveis para falar com os cidadãos
interessados, dos monumentos e das histórias dos
mesmos. Estes cartazes, feitos de forma simples e
singela, apresentam os monumentos sob a perspectiva
dos jovens voluntários.
Para melhor conhecer a
história da Freguesia de S. Victor, acreditamos que
temos o dever de dar a conhecer os seus monumentos e
a história dos mesmos. Irão ser apresentados “sítios
patrimoniais” de que muita gente já ouviu falar, mas
que nunca teve a oportunidade de conhecer. Irão
também ser demonstrados locais de elevado interesse
histórico e arquitectónico que infelizmente já
desapareceram, mas que os participantes do “Nosso
Património”, tiveram a oportunidade de registar na
primeira edição, realizada no ano 2005.
Para se conseguir
elaborar esta informação e cartazes demonstrativos
do Património de S. Victor, foram realizadas visitas
de campo a todos os monumentos ou locais
contemplados neste estudo, ou seja, todos aqueles
com interesse histórico ou patrimonial. O trabalho
consistiu no preenchimento de fichas, cujos
conteúdos dispõem de uma série de campos que
possibilitam a descrição de todos os elementos
observados. Para complemento das descrições foram
registadas reportagens em fotografia, com relevância
para todos os elementos observados.
Pilares deste trabalho
foram a pesquisa bibliográfica de tudo o que foi
escrito sobre o património desta freguesia, bem como
as fontes orais que deram a conhecer informações que
de outra forma não poderiam ser obtidas e que ficam
agora perpetuadas na produção do inventário
realizado.
Esta “Mostra do
Património de S. Victor” é uma forma de dar um lugar
de destaque ao meritoso trabalho dos 25 jovens
voluntários, que aproveitaram as férias escolares
para melhor conhecerem a sua e nossa Terra, ajudando
assim a divulgar o património de S. Victor à
população.
Acreditamos que esta
iniciativa fomentará a sensibilização para com as
heranças culturais, arquitectónicas, arqueológicas e
etnográficas que chegam até aos nossos dias e criará
uma consciência cívica de protecção do património,
que importa preservar no presente, abrindo-se assim
ao futuro.
| Firmino
Marques
Presidente da
Junta Freguesia S. Victor – Braga |
Ricardo
Silva
Coordenador
Geral Jovem Coop - Braga |
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Igreja
Paroquial de São Victor
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A Igreja de São Victor
ocupa um lugar de destaque entre os múltiplos
monumentos de arquitectura religiosa existentes em
Braga. Podemos mesmo dizer que é a maior e mais
imponente das igrejas paroquiais da cidade. Do ponto
de vista arquitectónico é a mais bela e é também a
que tem o melhor conjunto de azulejos.
É errado pensar esta
igreja da mesma forma que as restantes paroquiais da
cidade. Como a sua apresentação pertencia à Mitra o
templo de S. Victor não foi construído pelo povo;
foi inteiramente levantado por um arcebispo, um
homem de grande rasgo e visão, habituado ao bom e ao
melhor, oriundo da capital, e antigo embaixador em
Roma.
A ele pertenceu a parte
da arquitectura, a decoração interior de azulejo e o
seu retábulo-mor. Todo o resto foi entregue ao povo
da freguesia que o ocupou através das confrarias.
Esta igreja foi
construída no alto de uma pequena elevação
artificialmente alterada – quase parecendo um
promontório – visível de vários lados, inclusive das
muralhas da cidade. A inacessibilidade era algo que
ajudava a torná-la distinta, referencial.
É interessante que
também a tenha colocado no mesmo eixo que liga uma
das mais importantes portas da cidade – onde alguns
anos mais tarde seria construída a Arcada – com o
santuário do Bom Jesus.
Passamos a descrever
esta igreja segundo os olhos do seu pároco no ano de
1758:
“A igreja é grande,
feita ao moderno, a qual reedificou o senhor
arcebispo Dom Luís de Sousa no ano de 1686. É da
invocação do mártir São Victor, bracarense, cujo
corpo se afirmava estar sepultado em um lado da
capela-mor da igreja antiga, sobre cuja sepultura
estava um túmulo de madeira, com seus anjos pintados
em roda, cercados de grades de madeira e seu docel
da mesma, sobre quatro colunas para que o povo não
pisasse o lugar e venerasse o tal sítio.
Depois de reedificar a
nova igreja, foi o mesmo arcebispo com seus
ministros à dita sepultura e, cavando-se a terra em
altura de doze palmos, se acharam três arcas de
jaspe branco, com suas cobertas do mesmo, e para que
estas não quebrassem as atravessavam por cima umas
vigas de ferro. Em um dos túmulos se acharam os
ossos de um corpo humano, excepto a cabeça, que se
presumiram ser de São Victor, mártir, porque a sua
cabeça consta estar na igreja de Santiago de
Compostela. Os outros dois se presumiu ser um de São
Silvestre, mártir, arcebispo que foi desta cidade e
o outro de São Cucufate, mártir, também natural
desta cidade, cujos ossos, além dos que se furtaram,
que algumas pessoas nesta cidade conservam com
cheiro suavíssimo, e os que restaram os mandou o
arcebispo guardar na sacristia da igreja; e, ao
depois, no pavimento da capela-mor lhe mandou fazer
uma cave cercada de paredes onde tornou a colocar os
três túmulos com os próprios ossos e cobertos por
cima com grossas padieiras de pedra, sem mais
averiguação de identidade e certeza de cujos eram,
mudando para outro sítio as sepulturas dos vigários
para que não enterrassem sobre os ditos túmulos.
Tem esta igreja na
capela-mor o Santíssimo Sacramento e a imagem de São
Victor, de vulto, com suas confrarias; da parte do
Evangelho está o altar do Menino Deus, com sua
irmandade; logo se segue, em outro arco, o altar de
Santo António, com uma rica confraria; da parte da
Epístola o altar de santa Susana, mártir,
bracarense, com sua confraria, mais abaixo o altar
de São Sebastião, com sua confraria. Tem mais a
devoção das Almas com um quadro em que estão
pintadas, posto no arco da capela-mor e se faz aqui
todos os anos um aniversário com quantidade de
missas. Enterra esta confraria das Almas aos pobres
desta freguesia. Tem um grande pátio esta igreja,
com magnifícas escadas que descem à rua”.
A Igreja de São Victor
foi classificada como Imóvel de Interesse Público
pelo decreto-lei 129/77, de 29 de Setembro de 1977.
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Capela
São Victor-o-Velho
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Uns poucos metros à
frente encontramos a capela de São Victor-o-Velho,
ou São Vitouro, onde a tradição nos quer fazer crer
que o mártir São Victor foi degolado. Essa a razão
mais provável para este local ter sido conhecido na
Idade Moderna pela designação de Goladas.
Desconhece-se a data em
que foi fundada. Acreditamos que desde tempos
imemoriais aqui tenha existido um pequeno monumento
religioso, mesmo que apenas fosse uma singela
memória.
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Complexo Monumental das Sete Fontes
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As Sete Fontes, com as
suas imensas condutas revestidas de pedra onde
chegam a poder passar duas pessoas em simultâneo,
com as suas condutas subterrâneas, algumas em
profundidade e outras quase à superfície, com as
minas e poços, com as seis “casas” – outrora eram em
número de sete – em que se juntam, tratam e decantam
as águas, as Sete Fontes, digo, são o mais
importante monumento à perenidade da acção das
sucessivas vereações que a Câmara teve durante os
últimos quatro séculos. Foram muitos os trabalhos em
que os edis se empenharam em resolver para o bom
progresso da cidade; mas em nenhum se sente um
cuidado tão grande quanto o que devotaram ao
problema da água.
Durante centenas de
anos as Sete Fontes foram o principal ponto
abastecedor de água da cidade. Foi só no ano de 1929
que começou a funcionar o sistema da central de
captação de águas do rio Cávado, na Ponte do Bico.
Naturalmente que hoje o
caudal da água das Sete Fontes é manifestamente
insuficiente para os consumos domésticos e
industriais da cidade. Mas, sabendo-se que a água se
tornará a muito curto prazo o bem mais precioso da
humanidade há que pensar seriamente em defender
aquele manancial, estimado no ano de 1934 em cerca
de 500.000 litros por dia. E, também, há que estudar
detidamente toda esta epopeia que se estendeu por
séculos, há que aprender a respeitar e preservar
este importantíssimo conjunto do engenho e arte dos
nossos antepassados.
As Sete Fontes não são
apenas a parte visível, as lindas caixas de água com
as armas do arcebispo D. José de Bragança e a data
de 1744, data e armas que afinal não são de todo
correctas porque, como vimos, já há pelo menos três
quartos de século que ali se procurava a água – e
com excelentes resultados – que a cidade bebia. As
Sete Fontes são também aquele labirinto infindo de
minas e condutas que por ali andam escondidas sob
tojos, campos de cultura e alguns pinheiros.
Retirar uma pedra e uma
das caixas de água, cortar um veio, obstruir um
canal, ou permitir a construção ao seu lado ou à sua
volta, é destruir uma parte importantíssima de um
todo excepcional e com raros paralelos por esse país
fora como é o das Sete Fontes.
Tendo registado com
enorme satisfação a classificação de interesse
Nacional, atribuída pelo IPPAR, ao Complexo
Monumental das Sete Fontes, o Executivo desta Junta
de Freguesia não pode deixar passar a oportunidade
sem REGISTAR um louvor a todos aqueles que de uma
forma abnegada souberam defender uma parte
importante da história da cidade de Braga,
registando com particular relevo a acção
desenvolvida pela ASPA, por todos os responsáveis
desta Junta de Freguesia e do anterior Executivo,
assim como da Assembleia de Freguesia de São Victor,
que sempre souberam estar na primeira linha de
defesa deste importante património. Não podemos
deixar de referir o papel importante da opinião
pública que sempre soube demonstrar enorme simpatia
por esta causa, sendo enorme o pedido de visitas a
efectuar a esta referência importante de São Victor,
de Braga e do País, assim como das Escolas Básicas
da Freguesia, que têm incluído anualmente visitas
para os seus alunos a este importante Complexo
Monumental.
O
Executivo
Junta de Freguesia
de São Victor
13 de Maio de 2003
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Igreja
Senhora-a-Branca
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Remonta ao século XIV,
ao tempo do arcebispo D. João de Soalhães
(1313-1325), a fundação desta igreja. Mas nada se
conserva agora desse longínquo tempo.
Hoje podemos dizer que
a parte mais antiga foi mandada fazer por D. Diogo
de Sousa (1505-1532). Destes dois anos são a porta
principal (marcada pela sua pequena pedra de armas)
e a arquitectura da parte inferior do coro, parcos
restos de uma intervenção que se estendeu a todo o
templo.
No início do último
quartel do século XVII a igreja recebeu várias
alterações. Uma delas consistiu em um novo tecto de
caixotões, muito semelhante ao que ainda se conserva
no templo do convento do Salvador; este tecto veio a
desaparecer após as reformas levadas a cabo nos
finais de setecentos, período em que foi considerado
fora de moda. E foi pena porque era muito bonito.
Da mesma forma que o
tecto, também o seu retábulo-mor sofreu várias
mudanças. Embora nos faltem dados sobre os altares
que nela existiram até meados do séc. XVIII, não
podemos deixar de acreditar que, ao longo dos tempos
que decorreram desde a fundação da igreja até meados
de setecentos, tenha havido mais que um.
O altar actual é, por
si só, um bom reflexo das sucessivas mudanças de
gosto dos homens que governaram a igreja durante a
segunda metade do séc. XVIII.
No ano de 1745, um dos
homens mais poderosos de Braga, o Dr. Jerónimo
Coelho da Costa Maia, Desembargador da Mitra,
elaborou um novo risco para o retábulo-mor da
igreja. A sua proposta foi bem aceite e posta em
arrematação pública.
Embora o seu trabalho
tenha sido aprovado, apenas 6 anos mais tarde foi
decidido fazer algumas alterações até porque
começava a surgir um novo gosto, o do rococó.
Novamente se pediram
várias propostas e a escolhida foi a de André
Soares.
O resultado destas
novas obras apenas pode ser hoje avaliado pelo
sacrário, única peça que resta. É que em 1783 o
retábulo recebeu importantes alterações executadas
por outro conceituado mestre entalhador, João
Bernardo da Silva, que lhe deram o ar neo-clássico
que agora apresenta.
Também em 1783 foram
construídos dois novos retábulos colaterais, com a
sua pintura azul e branca; felizmente que houve o
cuidado de preservar os velhos e lindíssimos
presépios que se vêem nos retábulos que estão em
primeiro lugar de cada lado da nave.
A sacristia também
merece a nossa melhor atenção. Não tanto pelo seu
excelente retábulo, de estilo nacional, mas,
sobretudo, pelo belíssimo e muito conservado
revestimento de azulejo seiscentista.
A fachada é prova
evidente da passagem dos tempos e gostos. Olhando
com alguma atenção veremos que a parte superior nada
tem a ver com o enquadramento da porta principal. E
é natural que assim seja, pois a porta é uma das
raras reminiscências que ainda se conservam das
obras feitas no tempo de D. Diogo de Sousa; e a
parte superior é o resultado das grandes
transformações que foram levadas a cabo nos anos
1770-1771.
Se dermos a volta à
igreja ainda vamos encontrar uma outra obra
executada num período diferente. Estamo-nos a
referir à torre que é muito semelhante à da igreja
de São Victor, ou seja, deverá ter sido levantada
nos finais do século XVII ou inícios do seguinte.
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Casa
das Goladas
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Quase no extremo da Rua
Padre Manuel Alaio, defronte de uma das entradas da
urbanização das Enguardas, fica a grande Casa das
Goladas, construída talvez na década de 1860; alguns
dos seus compartimentos estão ornados com pinturas.
Nos dois gavetos que a Rua D. Pedro V faz com a Rua
do Taxa estiveram sedeadas, em edifícios imensos e
já demolidos há cerca de uns 20 ou 30 anos, duas das
mais importantes fábricas de chapéus de Braga: A
“Fábrica Taxa” e “A Industrial”.
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Capela
de Guadalupe
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Alcandorada no alto de
uma pequena elevação esta capela ocupa a mais
importante posição dominante de Braga.
Teve um papel
importante na urbanização de Braga. Acredita-se que
D. Rodrigo quis que se avançasse com esta obra
porque sabia que aos pés da capela se viria a
desenvolver o maior empreendimento urbanístico que
Braga teve entre a morte de D. Diogo de Sousa (1532)
e os meados do século XIX.
Estamo-nos a referir à
praça e ao conjunto de ruas que formam o então
chamado Bairro do Reduto, mais conhecido por Campo
Novo.
Na forma como estão
traçadas estas ruas vê-se que há dois pontos
geradores: a Capela de Guadalupe e, em extremos
opostos, o Recolhimento de Santa Maria Madalena, ou
das Convertidas e a Igreja de São Vicente.
Além da importância
urbanística a capela passaria a servir para o culto
de muitas pessoas que vieram morar para aqui,
evitando-se que se deslocassem aos templos do Campo
de Sant’ana e à Igreja de São Vicente.
A planta da capela é
invulgar em Braga, cidade em que se encontram muitos
templos de planta centrada, como também é o caso
deste. Aqui o espaço não se resume à forma de cruz
grega porque a ela se acrescentam quatro quartos de
círculo com exactamente a metade da medida dos seus
eixos principais, ou seja, a planta torna-se
absolutamente curvilínea, invulgar em toda a área do
arcebispado.
A fachada tem,
sensivelmente a meio da parte superior, uma edícula
profunda, onde, protegida por um vidro, está uma
imagem da padroeira.
O interior é dominado
pelo retábulo-mor, de talha fina e rendilhada,
concebida por André Soares – a mais importante
personalidade artística que a cidade teve em toda a
sua história bimilenar – em 1768, um ano antes de
morrer.
Apesar da sua
singeleza, sente-se neste retábulo que Braga estava
ainda em plena efervescência do estilo rococó, bem
visível em todos os pormenores decorativos e na
projecção do túrgido frontão. Só daí a alguns anos é
que começaria a surgir na cidade o estilo
neoclássico, pela mão do engenheiro Carlos Amarante.
Foi executado pelo
conhecido entalhador Manuel da Costa Carneiro.
Os altares colaterais
são bem mais simples e pequenos; são do estilo
neoclássico. Neles foram instaladas as quatro
confrarias que entre 1797 e 1801 se uniram à de
Nossa Senhora de Guadalupe.
Embora os muros da
cerca que envolve a capela sejam do séc. XIX, os
mesários já em meados do séc. XVIII tinham alcançado
do arcebispo autorização para a sua construção. Esta
medida tinha a ver com a protecção das oliveiras que
ocupavam toda a sua área.
Nos finais do terceiro
quartel do séc. XIX este espaço foi transformado num
parque muito procurado pelo público.
A ideia foi boa porque
o local é muito aprazível e é um excelente miradouro
sobre a freguesia. Contudo havia o problema da
vigilância do parque que exigia a presença
permanente de um guarda, que nem a junta nem a
polícia tinham possibilidades económicas para
manter. Daí resultou o encerramento dos portões.
Em Agosto de 1973 foi
inaugurado um parque infantil que também deixou de
funcionar.
Actualmente há um grupo
de reformados que utiliza as pequenas construções
que se vêem do lado sul do adro como local de
encontro, café, repouso, etc.
Em 2000 a ASPA –
Associação para o Estudo, Defesa e Divulgação do
património Cultural e Nacional enviou ao Instituto
Português do Património Cultural um pedido de
classificação para que a Capela de Nossa Senhora de
Guadalupe seja considerada como Imóvel de Interesse
Público. Está ainda a correr o processo.
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Recolhimento das Convertidas
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Foi no ano de 1720
quando o arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles,
decidiu comprar umas casas situadas junto da antiga
capela de São Gonçalo para ali fundar um
Recolhimento – ou Conservatório como também, então,
se dizia – dedicado à santa pecadora Maria Madalena
para recolher as mulheres convertidas a Deus por
livre vontade, arrependidas do coração e dos seus
erros.
O Recolhimento de Santa
Maria Madalena, ou das Convertidas, é um edifício
sólido, extremamente pesado e duro. E não podia ser
de outra forma.
É um edifício que tinha
uma dupla razão para ser construído; mas com
sentidos muito diferentes.
Uma das funções era a
de corrigir os erros das fraquezas humanas, a
segunda razão era mais prosaica mas não menos
importante, que era a de marcar o cunhal da nova rua
que ligaria o florescente campo de Sant’ana, então
em vias de se tornar o local mais importante da
cidade, com a igreja de S. Vicente, onde estava
sediada a terceira mais rica confraria de Braga.
Este projecto foi obviamente influenciado pela
posição dominante da Capela de Guadalupe.
Entrar neste
Recolhimento equivale a uma verdadeira viagem até um
tempo passado que só entrevemos em livros e filmes.
O átrio é muito frio,
de pedra húmida, a desaconselhar quem procura a
saída. Para comunicar com o corredor estava lá a
roda. A porta só se abria por ordem e mando da
governanta, que era escolhida a dedo pelo arcebispo
e que tinha direito a melhor ração que as outras. E
para chamar ainda lá está pendurada a sineta.
Passada a porta
encontramos outro átrio não muito acolhedor mas já
com algum calor humano. Era ali que deveria ter
assento a porteira que também era escolhida a dedo
pelo arcebispo e também tinha direito a melhorada
ração.
A escada é estreita e
íngreme. São dois andares de corredores estreitos,
de soalho de pinho carcomido, de paredes caiadas de
estratigrafias brancas.
Ao longo de um estreito
corredor estão sucessivas celas, pequeninas, outrora
apenas com um catre, uma mala e um crucifixo na
parede alva.
O convívio fazia-se, na
altura, nos coros alto e baixo, ou no mirante de
pequenas janelas e fortes e apertadas grades, a que
só se acedia em determinadas horas.
A zona de vivência das
recolhidas é absolutamente notável pelo seu
extraordinário estado de conservação.
A capela é notável pelo
seu impecável estado de conservação e pela sua
profunda unidade. A excepção do retábulo que deve
ter sido colocado nos finais do séc. passado, tudo
na capela é um bom exemplo do que Braga gostava em
1722.
O retábulo-mor, de
estilo nacional, tem um aspecto monumental que lhe é
dado pelo volume da sua talha e pela pequenez do
espaço em que se insere.
Conserva ainda o
dourado original. As imagens são soberbas, sobretudo
a de Santa Maria Madalena, de uma factura cuidada e
de uma elegância perfeita.
O púlpito é bonito
embora não corresponda ao conjunto da capela;
estilisticamente é pouco anacrónico pois é ainda do
estilo nacional.
O tecto é um exemplo de
como foram outros das igrejas e capelas de Braga no
séc. XVIII.
Não foi um bom artista
que trabalhou nesta capela das Recolhidas, não foi
um pintor erudito. Talvez tenham sido dois, tais são
as diferenças que se sentem entre os tectos da
capela-mor e da nave.
Não são uma obra
recomendável para quem tenha os sentidos muito
apurados, mas valem pela sua excelente conservação,
pelo testemunho que representam de um património
quase inteiramente perdido.
Este edifício,
presentemente, encontra-se fechado e ainda não lhe
deram rumo certo. Esperemos que quando o fizerem não
seja tarde de mais.
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Capela
de Santa Tecla
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No lugar de Santa
Tecla, um dos núcleos mais antigos da freguesia,
existe a Casa da Quinta de Santa Tecla que um portão
monumental protege.
É lá que tem a Capela
de Santa Tecla.
O interior da capela
nada conserva do primitivo. Nos inícios da década de
1920 foi colocada, no local onde existiu o
altar-mor, uma espécie de gruta – feita em cortiça –
com as Imagens da Virgem de Lurdes e Bernardete,
inovações que Braga tanto acarinhou nos finais do
século XIX e primeiros anos do seguinte.
Pena que tivesse
acontecido assim porque, para a gruta ser levantada,
teve de ser retirado um retábulo barroco, certamente
de estilo nacional e de muito boa qualidade.
Exteriormente não é
mais do que uma pequena, singela e bonita capela,
sobrepujada por uma cruz – onde originalmente teve
uma imagem de São João Baptista – e com uma imagem
feminina muito bonita, em granito, que o tempo
escureceu, colocada num cavalo que serve de peanha,
como era costume fazer-se em outros templos da
cidade.
Albano Belino e outros
estudiosos quiseram ver nesta figura a imagem de
Santa Tecla. Apesar dos líquenes que a cobrem ainda
podemos percepcionar que ela é de excelente
qualidade, que nos faz lembrar um pouco a que se vê
no patamar da escada principal do Antigo Paço
Arquiepiscopal, uma escada que, com toda a certeza,
foi muitíssimas vezes calcorreada por José Pinheiro
Leite no decorrer das suas importantes funções de
escrivão apostólico.
Excepto o lugar em que
está colocada, nada nesta imagem nos pode dizer
agora que ali está uma santa porque não conserva
nenhum atributo.
Faltam-lhe, para se
aparentar com a representação tradicional de Santa
Tecla, a açucena nas mãos e os leões a rodeá-la. Mas
o que interessa é aquilo em que se acredita e não
aquilo que se vê.
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